Polícia Federal assume sétimo lugar em ranking de suicídios

Nos últimos cinco anos, a Polícia Federal registrou 24 casos de suicídios dentro da Corporação. Diante desse quadro alarmante, durante o “Setembro Amarelo”, a Federação Nacional dos Policiais Federais lança uma campanha de prevenção e combate às ocorrências.
No mundo, o país que lidera os registros de suicídios é a Índia, com 258 mil casos por ano. Se considerado um grupo de 100 mil habitantes, quem assume o ranking é a Guiana, com 44,2 suicídios. O Brasil ocupa o 111º lugar no mundo e o oitavo nas Américas.

Se a Polícia Federal fosse um país, considerando o mesmo grupo de 100 mil habitantes, assumiria a 7ª colocação em casos de suicídios (dentre os servidores ativos), com 27,02% de ocorrências, uma média de quatro registros por ano.

Do ano de 1999 a 2003 foram apuradas oito ocorrências dentro do quadro de servidores da Polícia Federal. De 2005 a 2009, foram registrados dez casos. Já entre os anos de 2010 a 2014 foram 22 ocorrências de suicídios, o que representa 120% de aumento nos casos.

Atualmente, estresse, alcoolismo, ansiedade, depressão e síndrome do pânico são alguns dos problemas que afetam muitos servidores. Em uma pesquisa realizada pela Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) em 2013, 30% dos entrevistados admitiram tomar algum tipo de medicamento para tratamento psicológico e psiquiátrico. Oficialmente, existem apenas um psiquiatra e cinco psicólogos para atender toda a PF.

O presidente da Fenapef, Jones Leal, acredita que o regime militarizado ao qual os agentes federais se submetem tem contribuído para que os casos aumentem. Além disso, os registros de assédio moral por parte dos gestores podem contribuir para que as doenças psicológicas se agravem.

“Os agentes ficam longe da família, se submetem a situações estressantes e quando se reportam ao Órgão para pedir ajuda, além de não receber o tratamento adequado, acabam sendo marginalizados, encostados em suas residências. A vergonha em pedir ajuda agrava a situação”, enfatiza Leal.

A Federação e os sindicatos têm atuado na prevenção e ajuda aesses servidores. Fazendo o papel do Departamento de Polícia Federal, contratando profissionais particulares para atender os policiais que se encontram em depressão. “Essa contratação é necessária em todo ao país. Os sindicatos que não possuem, têm procurado implantar, aqueles que não têm condições financeiras, a Fenapef contribui com o colega”, finaliza Leal.

Campanha

Durante o mês de setembro, a Fenapef e os 27 sindicatos filiados estarão nas Redes Sociais apresentando medidas de prevenção e como identificar um colega com depressão.

Em alguns estados, no dia 10 de setembro, que é comemorado o Dia Internacional de Prevenção e Combate ao Suicídio, farão palestras e programações com os servidores no sentido de conscientizar e ajudar aqueles que têm necessidade.