Segundo a assessoria de imprensa da PF do Rio, o delegado não foi encontrado em sua casa quando procurado, após a expedição do mandado de prisão, em novembro.
Por Marcelo Auler, do Portal Conjur
É oficial. O ex-superintendente da Polícia Federal do Rio de Janeiro e ex-diretor da Interpol no Brasil, delegado Edson Antonio de Oliveira, é um foragido da Justiça. Segundo a assessoria de imprensa da PF do Rio, o delegado não foi encontrado em sua casa quando procurado, após a expedição do mandado de prisão, em novembro. Apesar das promessas de sua mulher de que ele se apresentaria, isto não ocorreu. Ele tem tentado derrubar o pedido de prisão através de recursos ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região e ao Superior Tribunal de Justiça.
A condenação que ele terá que cumprir é fruto de uma denúncia feita em 1994 por, em 1986, época em que chefiava o setor de Migração e Passaportes, ter conduzido “investigação informal” ao descobrir dois comissários da extinta Varig com vultosas quantias depositadas em contas no exterior. Diante dos indícios da prática criminosa, o delegado, sem formalizar inquérito, passou a exigir dos dois valores como contrapartida para não realizar a investigação.
Conforme consta do processo, na tentativa de obter vantagens ilícitas, ele foi à casa dos suspeitos e chamou-os para um almoço no restaurante Rios, onde discutiu extra-oficialmente o caso. Depois, levou-os à superintendência do DPF e ameaçou interrogá-los, ainda que não houvesse uma investigação formalizada. Pressionados pelas intimidações, os “investigados” apresentaram queixa-crime junto à 14º Delegacia de Polícia contra o delegado como incurso no artigo 148 do Código Penal — sequestro e cárcere privado.
Com a reação dos investigados e objetivando ocultar seus atos anteriores, Oliveira preparou um expediente, com data retroativa, dando ciência da “investigação” ao coordenador regional policial. Por este documento, foi denunciado também por falsidade ideológica, mas ao condená-lo, o juiz só considerou o crime de concussão, cuja pena deverá começar 26 anos após o crime cometido.
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