Abertas as inscrições para o III Congresso Brasileiro de Prevenção ao Suicídio

Assistente social da PF falará sobre como o problema afeta as corporações policiais

O III Congresso Brasileiro de Prevenção ao Suicídio acontecerá nos dias 28 e 29 de agosto, 100% online e gratuito. Promovido pela ABEPS (Associação Brasileira de Estudos e Prevenção ao Suicídio), o encontro reunirá grandes estudiosos para discutir um dos principais problemas de saúde pública moderna no Brasil e no mundo. As inscrições podem ser feitas pelo site https://www.congresse.me/eventos/abeps.

O suicídio é um fenômeno multicausal e que deve ser abordado de maneira profunda e com responsabilidade, uma vez que está entre as dez principais causas de mortes no mundo. De acordo com o site da ABEPS, cerca de oitocentos mil suicídios acontecem a cada ano, mais do que todas as mortes provocadas por guerras e homicídios.

A assistente social da Polícia Federal e mestranda em Segurança Pública, Gegliola Campos, será uma das palestrantes do evento e falará sobre o fenômeno dentro das corporações policiais, trazendo um recorte psicossocial.

Para a pesquisadora, a carreira policial é cheia de riscos e arquétipos que reiteram a necessidade do profissional ser forte, corajoso. Eles pagam o preço para cumprir sua missão.

“A atividade impõe o risco, mas tem como evitar que esse provoque adoecimento, com fatores que diminuam os impactos que podem gerar na sua individualidade”, comenta Gegliola Campos. Ela acredita que os altos índices de suicídios dentro das instituições de segurança pública demonstram a importância de entender os perigos e, a partir daí, desenvolver fatores de proteção tanto na dimensão individual quanto dentro das organizações, investindo em programas psicossociais e práticas de gestão humanizadas.
Segundo dados coletados pela Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), entre 2010 e 2019, 33 policiais tiraram suas vidas. Para o presidente da entidade, Luís Antônio Boudens, isso é um desastre. “Percentualmente é um dado alarmante. Estamos perdendo mais policiais para o suicídio do que em combate, em reações à abordagem de criminosos ou em acidentes de trânsito” afirma.

O diretor Jurídico da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Flávio Werneck, também julga necessária a adoção de programas de prevenção e enfrentamento ao suicídio quando se trata dos profissionais de Segurança Pública. “A falta de um sistema de apoio agrava ainda mais a situação daqueles que enfrentam problemas de saúde mental no Brasil”, comenta. Werneck participou, em 2019, de audiência pública na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e discutiu os elevados índices de suicídios entre agentes policiais do país. “Os dados são alarmantes. Mas, na Polícia Federal, são proporcionalmente piores”, assegurou.

Fonte: FENAPEF

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