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O número de homicídios teve uma queda de 3,05% no Estado de São Paulo em 2011, de acordo com dados oficiais da Secretaria da Segurança Pública divulgados ontem. Mas os crimes contra o patrimônio, inclusive o latrocínio (roubo seguido de morte), tiveram forte crescimento no ano passado. Foram 4.189 registros de homicídio no ano, 132 a menos que em 2010, o equivalente a 10,05 casos para cada grupo de 100 mil habitantes.
A meta ficou perto da do governo Geraldo Alckmin (PSDB), de fechar o ano com menos de dez casos por 100 mil habitantes. Ao anunciar as estatísticas, Alckmin disse que a meta só não foi atingida porque o Estado teve 62 casos de mortes em acidentes de trânsito que foram registradas como homicídios pelos delegados. Foram assassinadas 4.398 pessoas em 2011. A diferença ocorre porque há casos em que um único boletim registra a morte de mais de uma pessoa -como chacinas.
Os latrocínios subiram 20,9% -passaram de 253 casos em 2010 para 306 em 2011. Outro crime com alta significativa no ano passado foi o roubo de veículos: 15,47% de aumento. Foram roubados 79.190 veículos no Estado no ano passado. Ocorreram, ainda, 105.090 furtos de veículos (quando não há violência ou ameaça). Ou seja, ladrões levaram, em média, 21 carros por hora no Estado.
Renato Sérgio de Lima, secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, elogiou a redução dos homicídios, mas apontou falhas no combate aos crimes de roubo, furto e latrocínio. ”Não houve nenhuma variável econômica ou demográfica que justificasse o aumento desses crimes. Esse aumento tem muito a ver com ações da polícia”, disse Lima.
Ele afirma que a taxa de esclarecimento dos crimes é muito baixa no Estado de São Paulo e que os sistemas jurídico e policial são burocráticos, o que aumenta a sensação de insegurança. ”O crime é dinâmico. Mas a polícia não é. Ela precisa se adaptar à realidade”.
Aumento de latrocínio apavora classes média e alta
A comemoração do governo do Estado de São Paulo com a queda no número de homicídios esconde um dado preocupante e que merece estudo: os crimes contra o patrimônio e os latrocínios (roubos que acabam em morte) estão aumentando – acréscimo de 20,9% neste último, de 2010 para 2011. O latrocínio é o crime que mais apavora as classes média e alta.
Enquanto nos assassinatos sem motivação econômica muitas vezes a vítima e o matador se conhecem (são resultados de brigas de bar, entre vizinhos ou de marido e mulher), o latrocida pode estar em qualquer lugar e agir a qualquer momento. Além disso, a sociedade vive com a esperança de que esse tipo de crime caia com a melhora das condições econômicas (mais emprego e menos desigualdade), o que não está acontecendo.
Há vários estudos que tentam relacionar economia e criminalidade. A maioria usa como base pesquisas do americano Gary Becker, ganhador do Nobel de economia de 1992 e um dos pioneiros na área. Segundo ele, o crime segue a lógica mercantil: algumas pessoas se tornam criminosas ao acreditarem que a atividade ilegal (o roubo, por exemplo) é mais vantajosa que a legal (trabalho).
Nesse raciocínio, o resultado de um roubo numa sociedade que está enriquecendo, como a paulista, tende a ser mais interessante (por ser mais lucrativo) do que numa empobrecendo.
Claro que há fatores, não apenas morais, que servem como desestimulantes. A chance de ser pego é um deles, daí a necessidade de mais e melhor policiamento. A de ser punido, outro. Ninguém discorda de que a impunidade provoca e eterniza a violência.
Há outros fatores que influenciam a violência. A demografia é um deles. Estudos apontam que, aliados a fatores econômicos, a criminalidade nos EUA caiu nos anos 1990 junto com a redução do número de jovens.
Fonte: Folha de S. Paulo
